sábado, 23 de fevereiro de 2019

Tendências, Sites e Anunciantes

Postado no Fórum Transgressão: http://forumtransgressao.net/viewtopic.php?f=20&t=1165&p=3788#p3788

Como todos que estão no Transgressão desde 2011 sabem, sou o proprietário, administrador e webmaster do site Mega Tops Brasil.

Este tópico aqui é para discutir algumas tendências e o que acontece nas relações entre sites e anunciantes. E também para coletar sugestões de visitantes, pois estes são o público-alvo de qualquer site e os potenciais clientes das anunciantes dos sites.

Lembro que em fevereiro de 2011, quando o site começou a operar, tinham vários clichês:

"Foto caseira não atrai cliente"; "Passiva morre de fome"; "Vídeo caseiro é horrível"; "Site só tem que ter fotos de ensaios produzidas e editadas"; "Transex operada não trabalha"; "Vídeo somente making of" e outras frases.

Sobre estes clichês, respondo o seguinte:

01 - A maioria dos "ensaios profissionais" eram tão editados que haviam inúmeras reclamações nos fóruns;

02 - Algumas das 20 anunciantes MAIS ACESSADAS DO SITE são SOMENTE PASSIVAS, PREFERENCIALMENTE PASSIVAS ou TRANSEXUAIS OPERADAS;

03 - Quando comecei a colocar mais fotos caseiras / amadoras no site e no Blog Tetéias do Brasil, os próprios clientes das acompanhantes passaram a pedir mais fotos desse tipo delas. E, muitas vezes, as acompanhantes passaram a enviar mais fotos caseiras / amadoras;

04 - Hoje, praticamente todos os sites colocam os vídeos nos seus servidores ou em sites como XVIDEOS, REDTUBE, PORNHUB e outros. E há uma demanda enorme por vídeos caseiros / amadores;

05 - Colocar na foto o carimbo / marca d'água com o nome da anunciante (comecei a fazer isto em 2012 e várias reclamavam, hoje as mesmas que reclamavam exigem);

06 - A questão de divulgar os valores que as Acompanhantes cobram pelo atendimento (ainda há algumas que reclamam, mas hoje a grande maioria aceita).

Hoje, é possível observar outras tendências, que podem ou não se consolidar:

01 - Muitas acompanhantes estão tentando desenvolver e ATUALIZAR seus próprios sites e blogs;

02 - Além dos telefones, os sites também estão colocando LINKs DIRETOs para os WhatsApps das Acompanhantes, para que os visitantes (potenciais clientes) entrem em contato com elas;

03 - Clientes de várias regiões e países entrando em contato via WhatsApp querendo fotos e vídeos e as Acompanhantes vendendo;

04 - Uso de redes sociais (Facebook e Instagram principalmente entre as travestis e transexuais) para divulgar seus serviços. As garotas de programa usam muito mais o Twitter, que possui menos restrições de conteúdo apesar do limite de 280 caracteres. Garotas de Programa, travestis e transexuais do RJ ainda estão muito ATRASADAS em relação as de SP quanto a isto. E, antes que falem, até as emissoras de TV estão investindo muito no Twitter (Record, Globo, RedeTV, BandNews, GloboNews, SporTV) e operadoras de telefonia (TIM, Claro);

05 - Alguns sites - Mega Tops Brasil, Capital Sexy, Top Travesti, TransCampinas, Curitiba Class, The Models - também estão com presença constante no Twitter;

06 - A implantação de sistemas de ranqueamento e comentários sobre as anunciantes;

07 - Travestis e transexuais acompanhando e procurando mais os fóruns;

08 - Sites mais abrangentes (não só com anúncios de uma determinada cidade);

09 - A verificação feita pelos sites da ANUNCIANTE pela IDENTIDADE E CPF! São vários casos de acompanhantes - principalmente travestis e transexuais - com documentação irregular ou falsa. Não basta o dono do site fazer a verificação somente pela IDENTIDADE. Fora que qualquer uma com documentação irregular ou falsa, o site é retirado do ar e prejudica todas as demais anunciantes.

Por hoje, são estas as tendências que observo. Aguardo as sugestões de vocês.

sábado, 16 de fevereiro de 2019

A Burocracia do Sexo Anal

A burocracia do sexo anal

Por Dolores
Não há como florear uma declaração dessas: eu gosto de sexo anal. Pronto. Gosto muito. Talvez mais do que minha família gostaria de saber que gosto. E quem curte dar o cu assim nesse tanto não costuma ter frescuras tipo fazer casting e seleção de elenco antes da ação: se o convite é pra ser feliz, qualquer hora é hora, qualquer parceiro é convidado. Nunca fiz restrição e sempre fui bem aberta (um texto sobre sexo anal exige trocadilhos, leitor, portanto acostume-se).
Crédito da foto Pinterest
Há, no entanto, confesso, uma parte profunda de mim que, sim, titubeia antes de assinar o laudo de liberação definitiva. Nada a ver com dor, por exemplo, porque para isso existem os maravilhosos lubrificantes com os quais se besunta tudo e todos, além de rolar aquele mantra relaxante que a tradição recomenda entoar antes da entrada inaugural – a letra diz, em sânscrito, algo como “enfia logo, mas com cuidado”.
Também não tem relação alguma com medo de passar vergonha, cheque ou atestado de safada. Com o primeiro nunca me preocupei, senão não tinha nunca nem tirado a roupa na frente de ninguém a vida inteira. Contra o segundo se toma providências, e os tutoriais de chuca estão aí à disposição na internet para quem ainda não manja da preparação adequada. E prova de que gosto de dar, afe, quer mais do que assinar este blog aqui?
Minha hesitação vem, isto sim, da burocracia do sexo anal.
Porque pode ser que você não saiba, leitor homem hétero (se for bee sabe certeza, se for leitora mulher também sabe e vai talvez chorar comigo no cantinho), mas dar o cu traz consequências para a vida de uma pessoa. E tem dias que lidar com consequências é o que a gente menos quer na vida.
É fruto do sexo anal, por exemplo, uma ligeira dor de barriga subsequente. Pois é, veja a ironia, a porta em si se recupera rápido, mas o corredor se ressente de todo o trânsito excepcional. Com isso, a vontade de visitar o banheiro é quase inevitável, e convenhamos que dar esse rolê na madrugada, depois de uma noite quente passada de quatro, pode gerar preguiça e indisposição.
Além disso, há que se considerar invariavelmente a higiene posterior – não dá para dar o cu, caprichar no KY, e depois virar de lado fingindo que não está tudo melecado e grudento. Adicione-se aí, então, na planilha burocrática, uns 15 minutos de sono perdido debaixo do chuveiro, arrumando tudo para voltar a ficar elegante e imaculada.
Acho, no fundo (de novo), que é só mesmo por isso que o sexo anal é menos popular que as outras modalidades, que guardam exigências posteriores bem menos complicadas. Sexo oral? É só decidir se engole ou se cospe. Sexo vaginal? Chega mais aqui de conchinha e apaga a luz, por favor. Punheta ou siririca? Um pedacinho de papel higiênico e não se fala mais nisso.
O jeito é passar a transar assim só durante o dia, quem sabe, o que não me parece das decisões mais práticas. Ou, então, assumir de vez a burocracia, abrir mão de querer controlar tudo e ser feliz como for possível – ainda que, para isso, a gente precise assinar três vias e reconhecer firma em cartório.

fonte: https://xdesexo.blogfolha.uol.com.br/2019/02/14/a-burocracia-do-sexo-anal/